30/12/2010

DESCONTINUIDADES




Pra você guardei um trecho do livro que li,
quando não tinha o que fazer.
Agora,sozinho, lembro e esqueço,
-O que?
-Não sei.
Sorrisos,olhares,sonhos de felicidade.
Gritos,choro,o choque com a realidade.
Sexo é bom,mas melhor é não entender.
-O que ?
-Não sei.
Amores passam.
A eternidade é doentia.
Parei de procurar.
-O que?
Não importa.

Agora esbarro nas coisas,
-Que coisas?
Esqueci.

24/12/2010

O SENTIR





"O sentir é está comunicação vital com o mundo que o torna presente para nós como lugar familiar de nossa vida. É a ele que o objeto percebido e o sujeito que percebe devem sua espessura. Ele é o tecido intencional que o esforço do conhecimento procurará decompor."

MERLEAU-PONTY. FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO. P. 84.

23/12/2010

FALANDO DE ZÉ RAMALHO

     



Um pensador que não se contenta com a linguagem lógica, objetiva e desvinculada das ambiguidades que marcam o existir desta junção de fragmentos definido como humanidade. Zé é a tragédia que funda os cotidianos, a tragédia que não nega a vida, mas a insere em nossas loucuras, realçando a beleza dispersa, presente em imagens sombrias e agradáveis que nos torna o que somos, ou seja, ausência de conceitos,simplesmente, degustados e esquecidos.

O filósofo é aquele que acorda e fala, o homem comum é aquele que acorda, Zé ramalho é aquele que fala sobre o sono e a vigília, enquanto continuamos andando por divagações que direcionam o olhar para pontos vazios e densos por meio de sons sussurrantes,tipo de silêncio absoluto,saído de cavernas profundas, como se as palavras antes de serem pronunciadas, passassem por longos caminhos, que as fizessem gemer gritos de amor e ódio, frutos da angustia em face da necessidade de expressão.

Partindo de uma visão geral, acabamos chegando as partes,aos pedaços que não são únicos,e que se revelam em suas “ aparências que enganam" mas que também “desenganam” (AS APARÊNCIAS ENGANAM”),e que remetem aos encontros de onde nosso saber aprende “de onde vem essa mania de saber,como é bom quando estou perto de você” (PORTA DE LUZ).


Se somos felizes? Não importa,até porque,seja talvez a felicidade a condenação dos nossos atos mais livres,enquanto um povo marcado e feliz,que se confunde com a própria ignorância “ O povo foge da ignorância,apesar de viver tão perto dela” (VIDA DE GADO)

18/12/2010

OBRIGAÇÕES



Complicado assim,
Eles querem amor e prisão.
Proximidade não é o bastante,
Por isso abraços e beijos.
Querem convencer.
Com sorrisos e mentiras.
Nas faces alegres,
Contentes pela posse.
Você não vai fugir,
Vai ter de ceder,
É o cansaço o tempo
E os outros.
Não há saída,
O circo se fechou,
Agora pode ajoelhar,
Vai ter choro,
E todos serão apresentados
a fraqueza que lhe habita.
Não adianta gritar,
Os berros denunciam,
E ai irmão,
vão cobrir o teu corpo de pau,
Escavando...
Até encontrar uma espécie de alma.

A SÍNTESE DOS AMORES


Levemente sorrir.
Suavemente se afasta.
O catarro na boca,
O escarro de volta.
Saliva com gosto de amor.
Cusparada e dengo,
Um nojo escondido,
Realizando a criação
Num encontro líquido.

CONDENADOS AO SENTIDO.


A lógica metrifica,
A religião distorce,
Perdidos na confusão,
Buscando entender,
Impelir  a mudança,
Mas são todos loucos e sábios
Afogados em contradições.
Quando pensam ter desenhado os padrões,
Entram em convulsões,
Deslocados entre incompreensões.
Enquanto a escrita cria a fantasia,
De fixação de algo,
Mas o verbo não capta a ação,
O movimento leva a paralisia
E a espera pelas marretadas do tempo
Devoram as últimas cogitações.  

02/12/2010

REVOLUÇÕES EM TRÂNSITO.

      



Deixar a esperança morrer, parar de pensar que tudo poderá retornar algum dia.. Perceber que a oportunidade que se perde, não volta. Há de se criar tudo de novo, reinventar os lugares e remover os sujeitos. A imaginação é necessária, entretanto não pode amputar a ação. O corpo tem que se por em movimento, pois a força é atributo dos músculos e da vontade que transforma por não ser somente vontade. 

Não são os heróis que movem o mundo, mas são eles que refletem a letargia geral . Não se pode voltar, mas isto não deve ser empecilho, o que não se deve é tentar implantar as mudanças com base em arrependimentos. O elemento de renovação é a criatividade empenhada consigo e com os outros.

O vulgar é o que resta. Afogados em situações banais tentando respirar, suportando o ambiente preenchido por partículas nocivas, que fazem tossir e prender a respiração por longo tempo e continuar em direção a um ambiente ainda mais caótico, onde os pulmões adquirem capacidade de filtragem impressionante, até chegar ao ponto que param de funcionar, e ai o corpo aprende a viver sem eles. E tudo porque há de se continuar,criando novas condições de vida e não apenas de sobrevivência.