23/12/2010

FALANDO DE ZÉ RAMALHO

     



Um pensador que não se contenta com a linguagem lógica, objetiva e desvinculada das ambiguidades que marcam o existir desta junção de fragmentos definido como humanidade. Zé é a tragédia que funda os cotidianos, a tragédia que não nega a vida, mas a insere em nossas loucuras, realçando a beleza dispersa, presente em imagens sombrias e agradáveis que nos torna o que somos, ou seja, ausência de conceitos,simplesmente, degustados e esquecidos.

O filósofo é aquele que acorda e fala, o homem comum é aquele que acorda, Zé ramalho é aquele que fala sobre o sono e a vigília, enquanto continuamos andando por divagações que direcionam o olhar para pontos vazios e densos por meio de sons sussurrantes,tipo de silêncio absoluto,saído de cavernas profundas, como se as palavras antes de serem pronunciadas, passassem por longos caminhos, que as fizessem gemer gritos de amor e ódio, frutos da angustia em face da necessidade de expressão.

Partindo de uma visão geral, acabamos chegando as partes,aos pedaços que não são únicos,e que se revelam em suas “ aparências que enganam" mas que também “desenganam” (AS APARÊNCIAS ENGANAM”),e que remetem aos encontros de onde nosso saber aprende “de onde vem essa mania de saber,como é bom quando estou perto de você” (PORTA DE LUZ).


Se somos felizes? Não importa,até porque,seja talvez a felicidade a condenação dos nossos atos mais livres,enquanto um povo marcado e feliz,que se confunde com a própria ignorância “ O povo foge da ignorância,apesar de viver tão perto dela” (VIDA DE GADO)