07/09/2011

ÓDIO VERDADEIRO



Quando o amor é verdadeiro a gente perdoa.
Quanto ódio é verdadeiro a gente esquece.
O perdão é sempre repleto de ressentimento.
O esquecimento é sempre a indicação de algo novo.

VOCÊ


Você é tudo o que mais odeio.
O que  não consigo esquecer.
Você é o meu convite de viver.
É a pintura que fez o pintor.
Você é o desespero do amor.
A dor na minha alegria,

O sorriso que conquistou a agonia.
Você é a liberdade do prisioneiro,

E a prisão de todos os solitários.

06/08/2011

FINGIR E PERDER





Não se preocupe ,
Não ligue para o que dizem,
Desligue o celular,
E esqueça de tudo.
O super homem é literatura,
E o que importa é o seu desejo,
Fingir as vezes é o que vale,
E não vencer,

quase sempre é a solução.

28/07/2011

O AMOR E O OUTRO




No amor o outro não existe,ou melhor, não passa de uma invenção,elaboramos uma personalidade que preenche um certo corpo,fingimos,aceitamos e nos apaixonamos por nós mesmos. A imaginação é a marca do amor,o fingimento não assumido é sua realidade. Acariciamos com o olhar a obra de nosso devaneio de nossa necessidade de estarmos com o outro e ao mesmo tempo de não nos afastarmos de nós mesmos. O AMOR é Angústia de uma procura que nunca se iniciou,é Morte de um outro que simplesmente se apresentou,é Ódio do próprio desejo,e por fim é o Ridículo do encontro com a própria face...Mesmo assim meu amor ainda amo-te mais do que antes.


26/07/2011

ROTINA E AMOR




Vivemos a rotina, com medo de que algo venha a incomodar o nosso amor petrificador de realidades.Temos medo das transformações, por isso inventamos o amor para que possamos por toda a nossa curta eternidade admirarmos sempre a mesma face pálida. Nosso olhar está cada vez menos criativo,informando-nos aquilo que todos enxergam. Por isto o belo deve ser percebido como algo que está por se apresentar em instantes que capturam e que libertam os nossos sentidos de normas e preconceitos,no amanhecer,entardecer,e escurecer dos encontros.

CORPOREIDADE


Não tenho um corpo.
Eu sou um corpo.
A materialidade que fala
                 Que pensa
                 Que chora
                 Que come
                 Que dorme.

Amo o que posso tocar,
E a possibilidade do carinho me faz amar.

Desejo o que posso comer.
Revolto-me contra o que posso lutar.
E gozo no espaço que adentro
Onde lá de dentro, sinto.
No contato do sabor,
Que pede mordidas.
E que delira na dor.
Na ferida de sangue e de esperma.



24/07/2011

JEITO DE SER



O que posso dizer sobre a vida, é que ela é tudo,meu pessimismo nunca impediu que percebesse as maravilhas que marcam o nosso viver cotidiano. Se vejo as coisas como ridículas é porque é o ridículo que me encanta,a total falta de sentido é o pressuposto principal da lógica. Se às vezes pareço insensível é porque o amor não é capaz de expressar a dimensão dos meus sentimentos. Quando digo que Deus está morto, não é querendo simplesmente desprezar as representações, mas indicar as possibilidades de algo muito maior,ou seja nós mesmos. Sou apenas um sonhador que as vezes não é criativo o suficiente para colocar tudo em prática,por isso vivo em meu mundinho fechado em si mesmo.  

16/06/2011

Ironia.





Esperança meu bem ,
Tudo vai melhorar.
Amanha é um novo dia.
Os pássaros vão cantar.
O céu estará mais azul.
Vai ser tudo lindo.
É só você não acordar.

02/06/2011

Beleza e liberdade




Por muito tempo, pensei que a beleza fosse somente uma invenção do olhar distraído, que cansado do mesmo,se depara com a necessidade de criar uma ilusão uma mentira qualquer. Mas o belo não é resultado de nossa liberdade mas de nosso aprisionamento ao outro,a liberdade não se manifesta no belo,o olhar é sempre capturado por uma expressão que inverte a ordem das coisas.

12/03/2011

A ROTINA DA TRAGÉDIA






Mais uma tragédia na TV.
Corpos boiando nas lágrimas de saudades.
O que resta de amor se perdeu
nas estatísticas do último noticiário.
Que pena, queria também está chorando.
Mas o riso é o único traço de expressão
que preenche minha face.
A tristeza caiu na rotina e perdeu o encanto.
O sorriso é a tragédia assumida
em face do trabalho que deprime,
do amor que sufoca e da dor.

21/02/2011

Pós Modernidade


Sinto... Que todos se foram,

Mas não tenho saudades.

Tristeza... Só pelo filme antigo.

É tudo tão previsível,

A ação se encontra imóvel ,

Na velocidade da pós modernidade.

São tantos mortos e tão poucos feridos,

Que nem vale apena rasgar a carne.


05/02/2011

O TRABALHO HUMANIZA.


Trabalhar é basicamente a condição de se resignar,é assumir como proposta de vida a tarefa de ser um completo nada. É perceber a condenação, o estado de escravidão tão almejado.O trabalho nos aproxima da mediocridade que negamos na infância. O trabalho nos torna velhos,caquéticos,nos fazendo pensar que no fim do caminho o paraíso nos espera. Doce ilusão,amarga sensação de um sonho que assumimos em toda a nossa hipocrisia. A infância morta é o assalariado que espera a aposentadoria.

22/01/2011

POEMA CRISTÃO



Definitivamente é definitivo,
Não esperarei mais o canto do sabiá.
Vou dormir cagado e sozinho.
E se alguém me acordar,
Vou atira-lhe a minha última sinfonia.
E a boceta será a testemunha muda,
Que vai denunciar,
A morte definitiva,
Daquele que há muito morreu,
Pregado na fobia,
Daqueles que o amavam.

12/01/2011

Silêncio



"Só compreendemos a ausência ou a morte de um amigo no momento em que esperamos dele uma resposta e sentimos que ela não existirá mais:por isso,primeiramente evitamos interrogar para não ter de perceber esse silêncio:nós nos desviamos das regiões de nossa vida em que poderiamos encontrar esse nada."

MERLEAU-PONTY. FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO. P. 120

08/01/2011

PERGUNTAS FÚTEIS



Encarnamos papeis, que nos fazem adentrar num mundo imaginário,sonhamos com amores, empregos dignos e felicidades tranquilas. Mas o que fazer quando a fenda se abre,quando percebemos que tudo é um grande teatro a céu aberto e que a ilusão não sustenta mais o cotidiano maçante? 
O suicídio pode ser a solução, mas é uma decisão que se realiza mais na ação do que na reflexão, quem pensa muito não puxa o gatilho. 
Mas o suicídio se tornou tão senso comum,parece até que todos andam com a lâmina a acariciar o pescoço,só esperando o peso da gravidade agir. È tão decepcionante chegar a respostas óbvias. 
O outro deve ser glorificado ou violentado,pelo fato de ser o objeto de nossa condenação? Sinceramente, não sei,os ombros são  aconchegantes e  e refazem a lógica.
Melhor mesmo é continuar fingindo que o mundo gira em torno das minhas abstrações,que devo ser ético,já que preciso do pão macio e do café quente.

02/01/2011

O QUE É NIILISMO?

      
Niilismo não é um assunto ou mesmo uma temática delimitada por determinada disciplina,trata-se de atitude em relação a vida e aos outros,uma forma de pautar a existência no aspecto efêmero das coisas e das pessoas. É conceber que tudo pode ser de outra forma,que outra história é possível,que não amamos sempre o mesmo,e que sempre devemos estar dispostos a destruir convicções, numa atitude criativa e renovadora. A violência é a forma de expressão essencial em relação a nós e aos outros.A violência da destruição que cria.