28/07/2011

O AMOR E O OUTRO




No amor o outro não existe,ou melhor, não passa de uma invenção,elaboramos uma personalidade que preenche um certo corpo,fingimos,aceitamos e nos apaixonamos por nós mesmos. A imaginação é a marca do amor,o fingimento não assumido é sua realidade. Acariciamos com o olhar a obra de nosso devaneio de nossa necessidade de estarmos com o outro e ao mesmo tempo de não nos afastarmos de nós mesmos. O AMOR é Angústia de uma procura que nunca se iniciou,é Morte de um outro que simplesmente se apresentou,é Ódio do próprio desejo,e por fim é o Ridículo do encontro com a própria face...Mesmo assim meu amor ainda amo-te mais do que antes.


26/07/2011

ROTINA E AMOR




Vivemos a rotina, com medo de que algo venha a incomodar o nosso amor petrificador de realidades.Temos medo das transformações, por isso inventamos o amor para que possamos por toda a nossa curta eternidade admirarmos sempre a mesma face pálida. Nosso olhar está cada vez menos criativo,informando-nos aquilo que todos enxergam. Por isto o belo deve ser percebido como algo que está por se apresentar em instantes que capturam e que libertam os nossos sentidos de normas e preconceitos,no amanhecer,entardecer,e escurecer dos encontros.

CORPOREIDADE


Não tenho um corpo.
Eu sou um corpo.
A materialidade que fala
                 Que pensa
                 Que chora
                 Que come
                 Que dorme.

Amo o que posso tocar,
E a possibilidade do carinho me faz amar.

Desejo o que posso comer.
Revolto-me contra o que posso lutar.
E gozo no espaço que adentro
Onde lá de dentro, sinto.
No contato do sabor,
Que pede mordidas.
E que delira na dor.
Na ferida de sangue e de esperma.



24/07/2011

JEITO DE SER



O que posso dizer sobre a vida, é que ela é tudo,meu pessimismo nunca impediu que percebesse as maravilhas que marcam o nosso viver cotidiano. Se vejo as coisas como ridículas é porque é o ridículo que me encanta,a total falta de sentido é o pressuposto principal da lógica. Se às vezes pareço insensível é porque o amor não é capaz de expressar a dimensão dos meus sentimentos. Quando digo que Deus está morto, não é querendo simplesmente desprezar as representações, mas indicar as possibilidades de algo muito maior,ou seja nós mesmos. Sou apenas um sonhador que as vezes não é criativo o suficiente para colocar tudo em prática,por isso vivo em meu mundinho fechado em si mesmo.