13/09/2012

VELA ACESA



Estou te esperando, onde o inferno é mais quente,
E o céu uma lembrança distante,
Onde a pele queima de prazer e alma é o próprio fogo.

Seu caminho não tem chegada e o meu não tem saída.
Sou o demônio que você quer beijar enquanto disfarça e reza.
Eu sou a doença do mundo que pode lhe curar,
A praga da qual foge com medo de encontrar-se.

Minha morada não tem endereço fixo,
Meu número faz a ligação retornar,
Enquanto percebe que está ocupado e desliga.

Meu revolver tem mais de mil balas, uma a menos,
Depois de disparar a primeira no próprio crânio.

Minha risada é a tragédia de viver,
De não esquecer,
De não viver;
De ter que beber o veneno;
A cada beijo,
A cada desespero,
A cada amor correspondido,
E  inventado.

O meu caminho são todos aqueles,
Com uma vela acessa na mão esquerda,
Enquanto com a direita se masturba,
Tentando mostrar o caminho,
A ser desviado.