06/01/2013

LUCIEN CLERGUE: ONDE O CORPO ENCONTRA O MUNDO


Lucien Clergue.

Arles, França.
Fotógrafo e artista.
Nascido em 14 de agosto de 1934.


Lucien Clergue nasceu em Arles. A partir dos sete anos, aprende a tocar violino. Vários anos depois, seu professor lhe revelou que não tinha mais nada a lhe ensinar. De uma família de comerciantes, ele não poderia continuar os estudos em um conservatório. Em 1949,aprendeu os rudimentos da fotografia. Quatro anos mais tarde, em uma corrida em Arles, ele mostrou suas fotografias para Pablo Picasso, que, embora considerasse fracas, pediu para ver outras. Dentro de um ano e meio, Clergue trabalhou com o objetivo de enviar fotos para Picasso. Durante este período, ele trabalhou em uma série de fotografias de artistas viajantes, acrobatas e arlequins , os «saltimbanques». 

Em 4 de novembro de 1955, Lucien Clergue visitou Picasso em Cannes . A amizade deles durou cerca de 30 anos até a morte do Mestre. O livro,meu amigo Picasso retrata os momentos importantes da sua relação.


Suas fotografias estão nas coleções de inúmeros conhecidos museus e colecionadores particulares. Ele foi nomeado cavaleiro da Légion d'honneur em 2003 e eleito membro da Academia de Belas Artes do Instituto de França, em 31 de Maio de 2006, sobre a criação de uma nova secção dedicada à fotografia. Clergue é o primeiro fotógrafo a entrar na Academia a um assento dedicado à fotografia. 


Possuído por um estilo dramático, influenciado em grande parte pelo sofrimento que viveu com a perda da família pelos bombardeios da II guerra mundial e por acompanhar o longo sofrimento da enfermidade de sua mãe, até vê-la morrer. Fazendo-o retratar na imagem: a dor, o sofrimento e a perda. Contudo passou a ter no nu feminino uma forma de expressão que fazia do seu olhar dramático um elemento a mais no realce dos contornos da vida tão bem sintetizados nos corpos nus. As fotografias que produziu entre 1950 e 1970 do dorso nu de mulheres,são as mais conhecidas imagens do artista. Criou também a partir da influência de Pablo Picasso,imagens abstratas da arena dos touros. Nesses trabalhos é possível notar a influência da mitologia e do sentimento de aventura
















                                          







ONDE O CORPO ENCONTRA O MUNDO

O teu corpo é minha imaginação,
O teu corpo é meu corpo,
Estendido e dentro de tudo que é vivo.
O que é visto é parte daquilo que ver,
E ver ao ser visto.
Os nossos corpos se tocam,
Confundidos com as pedras,
Tocamos ao sermos tocados.
Vivendo sempre no contato,
Ao ser luz e sombra,
Ao ser sem definições,
Palavras, gestos e sons.
O corpo é o que se mistura com a água,
Sem deixar de ser corpo,
E sem ser por completo água.
O corpo é duna de carne,

É solitário e comunicação
É extensão do mundo,
E nele se completa.
E forma um novo desenho,
A cada novo abrir de pernas,
A cada novo mínimo movimento,
A cada novo mergulho,
A cada novo incomodo.
O corpo é o que se mostra,
Nessas linhas onduladas pelo vento,
Pela espuma dos mares,
Pelos acidentes da terra.
O corpo é o mundo que somos,
E o mundo é o corpo no qual nos estendemos.



FONTES: