29/07/2013

UM AMOR ASSIM



Amor calmo,
que alimente a cada dia a loucura,
real que não deixe de imaginar o mundo,
e o recrie com novas tonalidades.

Amor que reúna toda a leveza e  peso da vida,
que seja alegre,mas saiba conviver com a mais profunda tristeza,
que pule de contentamento e nade na sofreguidão extrema,
que sorria, mas não só pra disfarçar o desespero.

Amor dos vampiros,
dos monstros que jamais serão estátuas ,
dos pecadores que de jeito algum poderão ser perdoados,
Pois violaram os bons costumes e a conveniência moral.

Amor de paz e guerra,
De crises e criações sem medida,
De encontros e desencontros,
De olhares que expressão toda verdade possível.

Amor sem alianças,
Feito também de desamores,
De fogo, água e carne,
Nem maior ou menor do que deve ser.

Amor que não dê garantia de nada,
Que não traga segurança,
E não sufoque ainda mais a liberdade,
Mas que  voe mesmo com as asas cortadas.

Amor sem fadas e mesmo assim encantado,
Um milagre sem deuses para atrapalhar,
Aqui agora e pra sempre,
Preste a acabar e desfazendo-se.

Sem sacrifícios mas dedicado,
Sem ilusões de além mundo mas imaginativo,
Sem piedade mas cuidadoso,
Complexo e absolutamente simples.

28/07/2013

09/07/2013

O ATEÍSMO E O ARGUMENTO DA COMODIDADE RELIGIOSA



Não há nada de nobre no Ateísmo,que em certo ponto chega a ser ridículo, ao se prestar a negação de uma falácia,que é a ideia da existência de um arquiteto psicopata da ordem universal. É de certo modo, como se houvesse uma seita que tentasse negar a existência da mula sem cabeça,ou coisa do tipo.

Mas de todo modo, o que há de válido no ateísmo é o seu aspecto de ridicularização da imbecilidade humana em forma de religião,mesmo que em certo ponto seja responsável por afirmar os contornos desse nada universal.

O argumento mais frequente que escuto contra o ateísmo é aquele que afirma que o mesmo é uma forma de irracionalidade, já que em caso de está certo,nada se consegue,em face do fim de tudo. Ou seja, o famoso argumento da comodidade, acredita-se na existência de deus,já que a esperança é qualquer coisa em vez do nada.

O que se pode dizer é que deus existe, da mesma forma que a rola metafísica que penetrou Maria e deu origem a jesus cristo,existe. Existir  não se resume a ser algo material,mas também a algo simbólico ou moral, como: deus,o bem,a virgindade o papai noel a Xuxa e coisas do tipo. O Ateu ao negar a existência de deus,está de certo modo afirmando uma concepção de deus,já que a negação traz consigo uma afirmação.Ao se negar a existência de qualquer coisa que seja,acaba-se por defini-la e estabelece-se assim,  essa coisa como algo que está por ai,ao menos na fantasia das mentalidades.

Ou seja o Ateísmo se presta a negar algo, que também passa  a existir ao ser negado. Agora o que se pode questionar é se esse embrolho todo tira a validade do ateísmo ? Ao meu ver o Ateísmo se torna interessante não pelo fato da negação em si ,mas por fazer descer a poeira de nossos pés algo que é exclusivamente humano. O Ateísmo ridiculariza o divino. O sacro santo passa a ser visto como sinônimo de medo, de covardia, em relação a vida,passa a ser a muleta dos incapazes de criar realidades  que ampliem as possibilidades de sentir.

O Ateísmo é o nível  máximo do desenvolvimento humano ? Não. É simplesmente o modo mais básico de se lidar com a imbecilidade religiosa que tanto sufoca as nossas experiencias.

O Ateísmo a principio, não tenta afirmar um nada absoluto,mas apenas se nega a colocar no lugar do mistério, um fantoche meio anjo meio demônio, além de genocida,vingativo,homofóbico e megalomaníaco .

07/07/2013

ESPELHOS OU MUROS



Para todos os apaixonados por espelhos,
que perguntam se são belos o suficiente,
Digo-vos; vossas feiuras não são defeitos,
Mas disfarces do belo que não sendo beleza,
Tem sempre algo a dizer a percepção que não viu tudo.
A monstruosidade está na incapacidade de alargar a percepção,
E não nos traços que mesmo tortos, se revelam ao olhar.

05/07/2013

Poema e poesia.





Enquanto houver encanto, 
Farei de tua imagem poesia,
E não cobrarei nada,
Não exigirei companhia,
Não ocuparei  o teu tempo 
com minha fadiga,
Não te farei um filho,
Não te cobrirei de beijos,
Não te apertarei contra o peito,
Não viverei esse grande amor,
Não terei histórias pra contar,
E esse poema nunca terá existido.

MAR TURVO





Aqui dentro é um mar turvo, cheio de pequenos, médios e grandes peixes, que são a todo momento devorados por monstros de toda espécie. Aqui o líder do reino se encontra imobilizado, sequer pode ser chamado de líder,já que suas decisões não tem relevância, para qualquer outro membro do reino. Aqui é um caos e as partes juntas não constituem um todo. Aqui não existem deuses ou qualquer ser superior, e os que aparecem logo são rechaçados com risos socos e cuspe. Aqui as escolhas são meras ilusões egoístas de um Eu que não decide e nem se situa estrategicamente na desordem. Aqui amor e tédio vivem de braços dados, num dia é paixão e nos outros, simples repetição incessante do mesmo. Aqui não é bem um lugar, não é bem uma pessoa a falar de si. Mas um planeta sem chão,inundado,devastado por toda água que há no mundo.

FINGIMENTO


Faz o seguinte,
Quando passar,
Se ainda for verdade,
Fingi que perdeu o sorriso,
Que conheceu outro mundo,
E que nunca foi nada.
Fingi...pra também assim
eu esconder o que sinto.