30/11/2013

OS VERDADEIROS MONSTROS



Meus monstros não tem cara feia,
Não soltam uivos tarde da noite,
Não andam armados e atirando,
Nem são sequer perversos.

Eles não transmitem insegurança,
São boas companhias pra qualquer um,
Não bebem nem fumam,
Nem falam palavrões e parecem gentis.

Tem olhos cativos e bons modos,
Andam bem vestidos e limpos,
Dispostos a ajudar o próximo,
Dizem sim senhor,sim senhora.

Monstros da moda de verão,
De fina estampa e elogiados,
De futuro seguro e sucesso,  
Com a certeza que a vida vale por si.

A ÚNICA QUESTÃO SÉRIA DA FILOSOFIA




         Como dizia Albert Camus;
         A única questão séria da filosofia,
         É saber se a vida vale ou não ser vivida.
         O resto é jogo de palavras,
         Mas diga ai como você sabe?
         Ou prefere não responder?
         Pra responder só provando,
         Sentido tudo intensamente,
         Ou ao menos tentando.
         Mas diga então...como você sabe ?
         Ou prefere disfarçar e aceitar tudo ?
         Não tenha medo de se fazer a pergunta,
         É simples,mesmo que complicado.
         A sua vida vale apena ser vivida ?
         E não valendo é mais preferível que o nada ?
         Não tenha medo de si mesmo,
         Não tenha receio de perguntar
         A sua vida vale apena ser vivida ?
         Ela é mais que uma porção de nada.

29/11/2013

O DINHEIRO

Luis Quiles

O dinheiro compra o pão,
o recheio o líquido,
a droga o fogo e a companhia
compra o sonho,
o revolver o álibi
e o perdão divino.
Compra os sentimentos
o amigo falso o honesto,
e as promessas de amor eterno.
Compra a casa a filharada,
o paraíso no arquipélago,
de Fernando de Noronha.
Compra a felicidade,
o amor falso e o verdadeiro,
a vida e a morte 
do trabalhador sem dinheiro.

ACRÓSTICO DE NAIANA


ARQUITETURA DA INFÂNCIA



Crianças não deveriam ser criadas em apartamentos.Enjauladas como bichos sem a mínima autonomia. Tratadas com palavras de amor,mas cerceadas em seus movimentos. Um apartamento pode até servir para abranger os passos de um adulto,mas a criança não pode ficar batendo com a cara em uma jaula,esperneando e jogando seu brinquedo para fora,numa tentativa de escapar da prisão. 

As cidades são pensadas para carros e negócios,a criança parece mais um dos objetos,deslocada de lugar,mas sem espaço para habitar e ambiente propício aos seus primeiros passos. Talvez o objetivo de toda essa arquitetura,seja adequar as próximas gerações ao deslocamento dos carceres do espaço público para o privado. Cada um, será assim, responsável pela sua própria cela,fazendo a limpeza a manutenção e a adequação de sua prole aos novos padrões de conforto.

AQUELE SILÊNCIO


De tudo que falou,
O que mais marcou,
Foi aquele silêncio,
O curto intervalo,
que o olhar se afogou em si,
os lábios em forma de beijo,
o gosto da carne,
e a sensação do nada,
apagaram do ser,
a miséria do cotidiano.

27/11/2013

O TEMPO SÃO OS OUTOS


Alguns procuram a felicidade,
Outros um grande amor,
Tem os que preferem as riquezas,
E também os que sonham com a fama ,
Não esquecendo os desejoso de tudo isso,
certos ou errados,não sei,
E talvez nem o tempo dirá,
Outros farão seus julgamentos,
Apoiarão as decisões no mais confiável,
escrevendo, ou oralmente mesmo hão de criar
suas receitas,passadas a seus filhos e bisnetos,
Se certos ou errados não sei,
E talvez nem o tempo dirá.

O PREÇO DO FASCÍNIO


Quando custa o amor ?
de teu belo corpo ,
mudo como da primeira vez ?
Quanto vale a companhia,
de teus olhos e suspiros ?
Qual  o preço da atenção,
de teu jeito de recato ?
Pago tudo,pelo que não tem preço,
Pra dar-te aqui na terra,
a vida que o paraíso não é capaz,
Pago ,para o dinheiro perder o valor,
e deixar de comandar teu destino.


ANIVERSÁRIOS








Quando se é jovem,           festeja-se o dia a mais,
Quando a velhice chega,
comemora-se pelo dia a menos.

"MEU AMOR"


"Meu amor,"

Podem duas palavras 
serem  mais contraditórias,
Como algo pode ser seu,
se é amor, 
o amor é imponderável,
que aproxima e distancia,
lágrima, riso, aperto e grito.


25/11/2013

MUDANÇAS E PERMANÊNCIAS


Quando baixa-se a guarda
e menos se espera,
o óbvio surpreende;
e tudo continua do mesmo jeito,
o tempo destruindo as muralhas,
os vivos batendo a porta da morte,
os deuses trocando de nome, 
as mulheres com novo dono,
e os escravos sempre em número maior.

SÓ SOLIDÃO

Não ouça,  
se ouvir,
Não grite,
Se gritar,
Não chore ,
se chorar,
um abraço
pode resolver,
se for mais forte,
só solidão.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO



SEM SOLUÇÃO




O que pode ser feito ?
Chorar não adianta,
Rir é puro desespero,
Fumar,demora muito,
Amar,muda-se pouco,
Fechar os olhos,
perde-se a paisagem
Então ?
Revoltar-se,
Contra quem ?
Como ?
Por que ?
Revoltar-se,
Contra a opressão,
O abuso do poder,
E o poder sem abuso.
Revoltar-se,
Contra; 
o comercio da vida, 
da aprendizagem,
do prazer e desprazer.
Revoltar-se,
Não é apenas colocar-se contra,
Mas principalmente a favor,
da vida que grita seus impulsos,
dos loucos que deliram na tempestade,
e da razão que escapa a racionalidade. 

18/11/2013

MUITO OBRIGADO

Gia Carangi



Obrigado pelo dia,

por fazer parte dele,

e torna-lo menos miserável.

Obrigado por não aparecer,

e ser de longe o motivo,

a razão de ainda haver sentido.

Obrigado pela inspiração,

por aparecer nos textos,

mesmo que não mereçam

Obrigado pelo silêncio,

por fazer o vento,

que chega aos meus pulmões.

Obrigado por aparecer sem querer,

quando mais preciso ou não,

de uma explosão de criatividade.

Obrigado por tudo e nada,

Pelo sonho e realidade,

pelos passos e compassos,

E por condenar a vida,

Este corpo de carne osso e sonho,

De impulsos,instintos e amores,

De febre,calor e fôlego,

De olhos,visão e lágrimas.

Obrigado por não pedir direitos,

Por não exigir privilégios,

e não condenar os devaneios.


16/11/2013

RETORNO

Quando voltar,                  
Não  traga nada,
E jamais jure,
qualquer sentimento,
ou espere  o mesmo de mim.
Pois nada darei,
além do já é seu,
sem que ao menos
tenha entregue,
ou feito entender,
que não foi opção, 
mas encanto.
Que não houve ciume,
mas fúria.
Que não foi medo,
mas estranhamento,
Que não deu certo,
por ser a perfeição
efemeridade sem igual.
Que não falei de amor,
por ser algo que se diz,
quando certo sentido aparece.
E por enquanto foi só loucura,
Que não é pouco,mas muito.

15/11/2013

MEU PROBLEMA



É  tão contraditório
que não sei  dizer,
É óbvio de tal modo,
que não há palavras.
É meu problema,
afetando a vizinhança,
simples e complicado,
que chega a ser patético,
bastando gestos,
olhares de carinho,
ou sorriso terno,
a expressar uma virgula,
como um mar de poesia,
jogando as ondas,
e levando toda sujeira,
guardada no lugar, 
que ela deveria viver.


14/11/2013

NO MOVER DA NOITE


Quando chega a noite,
E adentra a madrugada,
Faz um silêncio,
cortado pelas buzinas,
por vozes que ecoam ,
sons de sobreviventes,
e suspiros dos esgotados.
No mover da noite,
descansa-se do sol,
da vida e do trabalho.
Os sonhos aparecem,
e na mesma ruptura.
desfazem-se.
No calar da noite,
Procura-se aconchego,
em outros casos,
a mais total solidão.
O dia é da rotina,
A noite da repetição.
O dia é da velocidade,
A noite da lenta passagem.
No dia devoram-se ,
Na noite um pouco do gosto.
De dia, a luz, cega,
De noite a escuridão ilumina.
O dia, dos negócios,
A noite do prazer do resto.
De dia os personagens,
A noite a dupla face.
Quando a noite encontra o dia,
O dia não encontra a noite.

13/11/2013

ACABOU...


Acabou...
medo,
deus,
diabo,
utopia.

Acabou...
programa
partido,
ensaio
mentira,

Acabou...
encontro,
relação,
noivado,
casamento.

Acabou;
confusão,
briga,
guerra,
conflito.

Acabou,
céu,
sol,
lua,
dia,

Acabou...
Amanha continua...


12/11/2013

OUTRA CIDADE


A cidade que unia agora separa,
se antes estava em cada esquina,
Agora faz parte de outro mundo.
É triste pensar ;
que talvez nunca mais,
que levarei a vida,
e passarei os dias,
sem ao menos; 
um piscar de indiferença;
um sopro do vento,
carregando o perfume.
A cidade não é a mesma,
A arquitetura desfeita,
As ruas vazias,
As praças sombrias,
Pois era a cidade,
que antes caminhava,
o fundo da paisagem,
pela qual se movia,
E que agora não passa,
De uma mancha de tinta,
sem vida,
vista na perspectiva 
de um desfalecido.

08/11/2013

ENTRE O TÉDIO E O FIM


Não sei de vários assuntos;
Sobre os temas básicos,
e mais complicados,
Sobre aqueles que ninguém sabe,
e os quais todos tem algo a dizer.

O que sei é um jogo,
Brincadeira pra passar o tempo,
Desvio de qualquer coisa séria,
Riso em forma de palavra,
Verso perdido do poema.

O que sei é que acaba
Antes de terminar,cansa,
Entre o tédio e o fim ,
Há as vezes quase uma eternidade,
Que pode ser resolvido rápido,
com uma boa noite de sono,
que começa com uma bala.

DENTRO E FORA


Lá... bem dentro,
No mais profundo ,
No mais fundo,
No âmago do ser
No oceano que somos,

vive um mistério ,
        um segredo,
        um corte,
        um impulso,

Que de tão dentro,
Parece fora.

06/11/2013

É SÓ PULAR




Em cada palavra,
Em toda linguagem
Há algo não dito,
Fúria,
Loucura,
Desvairo,
Sexo contido.

Em cada gesto,
Um mundo fala,
E outro esconde,
Violência,
Carinho,
E doses de afeto.

Meu amor ,
que não é meu,
pular no abismo,
É sempre fácil 
e o mais difícil.

01/11/2013

PARA NÃO SER SOMENTE MORTE.


FILME: MAR ADENTRO 


Infelizmente não temos a cultura do suicídio,tomamos tal ato como crime contra a vida,não percebendo que a vida perde o encanto ao forçamos a permanência na existente, de indivíduos que não encontram motivos pra continuar, e passam a vegetar em um mundo que considera -Não termos direito de decisão sobre nossa própria vida, de afirmar que não dá mais e assim deixar um recado para todos; que a vida não basta. É preciso criar novas condições de intensificação do viver. 

Tirar a morte é a forma mais fácil de ceifar vidas. É contrariamente ao que se pensa, afirma-la,como única realidade,uma morte sem vida,em que tudo,do nascimento ao envelhecimento são  fases da mesma morte . 


O poeta russo antes do suicídio escreveu:

"A todos...eu morro,não culpem ninguém e nada de boatos o defunto odiava isso. A barca do amor partiu contra o recife da vida cotidiana." Maiakovski.