25/12/2013

ENTREVISTA DE EMPREGO


Estávamos a sós , numa pequena sala, esperando para sermos entrevistados, disputávamos um emprego como professor de uma escola particular. A escola mais conceituada da cidade,cujos alunos, eram os filhos das putas mais caras de toda a região . Cabendo ao professor ser o elo entre o conhecimento e as mentes daqueles mauricinhos,cujos celulares pagariam todo o ano de trabalho de um professor, dos bons. 

Admiro aqueles profissionais da docência que além de decorarem o livro didático por inteiro,tem uma lábia que faz  as menininhas terem o primeiro orgasmo, só em ouvi-los falar,esse não é meu caso.

Enquanto fiquei esperando a minha vez de ser entrevistado,a professora que estava ao meu lado foi chamada para entrar na outra sala,bem maior ,ela se levantou com seus quase dois metros de altura que preenchiam perfeitamente a calça jeans e a camisa azul. Antes de entrar me olhou rapidamente,como se dissesse -perdeu otário . E não foi diferente do ocorrido,ao sair,meia hora depois, com sorriso bem largo,passou rápido pelo cubículo que estávamos.  

A secretária veio até mim e falou que o coordenador teria de se retirar, por motivos particulares. E que eu retornasse outro dia. vai que pergunto;

-Quem é mesmo que está entrevistando os candidatos,

- O senhor Erivaldo,coordenador da escola.

-Ainda está de pau duro ?

- como ?

- O cara que entrevistou a professora,ele já estava vestido quando falou de suas questões particulares ?

-Não sei do que fala,senhor.

- Tá bom, melhor ir embora.

Ao chegar à calçada,parei e olhei para todos os lados e uma sensação de alívio e estranheza me preencheu. Dois messes desempregado. Três sem comer ninguém, morando na casa dos pais, com irmã e cachorro atrapalhando o sono, e uma vizinha gostosa,que só tinha olhos para o namorado com  cara de galã da novela das nove. 

Ao chegar em casa mãe logo quer saber:

-Deu certo.

-Ainda não sei,precisarei esperar.

-Mas como foi a entrevista.

-Ótima.

- Graças a deus.

 Mãe sabia do meu ateísmo ,mas fingia,com uma convicção que eu mesmo chegava a desconfiar se realmente era.