27/08/2014

A LÓGICA E O SEM SENTIDO




O teu ciume 
O meu desprezo
A tua raiva
O meu sorriso 
O teu sonho 
A minha vida 
O teu amor 
O meu amanhecer
O teu medo 
Os meus passos
A tua sabedoria
O meu não sei 
O teu carro 
O meu voo
O que era é teu
Agora não tem dono
Nem eu.

21/08/2014

TUDO NELA


Tudo nela
É cor e sedução,
É firme e sensível, 
Do passo ao descompasso.

Tudo nela 
É sombra e luz 
Do dia que não apaga 
Da noite que brilha.

Tudo nela 
E recato e expressão
É gesto e linguagem 
Do que diz sem palavras.

Tudo nela 
É instante e eterno
É na medida certa
O que não falta nem sobra.

16/08/2014

ARTE E EXISTÊNCIA



Minha arte
É tecido da vida,
Morte da psicologia,
É rede de subjetividades,
De qualidades sem nome,
De seres que não são,
E de um vir a ser sem fim. 


A arte de viver consiste em matar a psicologia ,criar consigo mesmo e com os demais individualidades , seres , relações , qualidades que não tenham nome. Se não se consegue isso na própria vida, ela não merece ser vivida. Não faço distinção entre as pessoas que fazem de sua existência uma obra e as que fazem uma obra em sua existência . Uma existência pode ser uma obra perfeita e sublime , e os gregos sabiam disso, enquanto nós o esquecemos por completo, sobretudo depois do renascimento. 

Michel Foucault 

08/08/2014

O MATADOR DE CÃES


O matador de cães, 
Não tem nome,
É a multidão enfurecida, 
A besta que trafega os asfaltos,
O fabricante de venenos,
Filho do caos e da ordem,
Animal divino,
Vendedor de vida.
E Dono da morte.

O matador de cães,
É um velho,
Uma criança ensinada,
Um adulto trabalhador,
Um senhor que sabe rezar,
Que tem filhos e cachorro
E faz tudo certo,
Para conquistar o reconhecido,
Dos carregadores de armas.

O matador de cães
Não tem endereço,
Habita todas as casas,
E preenche com seu cheiro,
Os esgotos fétidos da cidade.
É um santo,
Um deus
Um monstro
Em pele de humano. 

04/08/2014

INCONVENIÊNCIAS




O amor chegou sem pedir licença,
Levou o cigarro o sorriso e a ironia ,
Deixou saudade, tristeza e a conta do analista.

01/08/2014

O rio do meu lugar



No rio do meu lugar
corre o passado,
correm os jovens,
em busca do nada,
andam os velhos,
no caminho da morte.

No rio do meu lugar,
o som canta o desespero tranquilo
e os pássaros não assoviam ,
nem sabem voar,
pois morrem cedo,
cavando a terra.

No rio do meu lugar,
o cortejo carrega os vivos,
Os mortos vivem em paz,
Nos sonhos dos rezadores,
que procuram no paraíso
o que não acham na terra.

No rio do meu lugar,
o amor casou cedo,
teve filhos e netos,
levou pancadas e gritos,
cuidou do lar e dos vizinhos,
até poder viver bem,
quando não era mais possível.