01/08/2014

O rio do meu lugar



No rio do meu lugar
corre o passado,
correm os jovens,
em busca do nada,
andam os velhos,
no caminho da morte.

No rio do meu lugar,
o som canta o desespero tranquilo
e os pássaros não assoviam ,
nem sabem voar,
pois morrem cedo,
cavando a terra.

No rio do meu lugar,
o cortejo carrega os vivos,
Os mortos vivem em paz,
Nos sonhos dos rezadores,
que procuram no paraíso
o que não acham na terra.

No rio do meu lugar,
o amor casou cedo,
teve filhos e netos,
levou pancadas e gritos,
cuidou do lar e dos vizinhos,
até poder viver bem,
quando não era mais possível.